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Quem é o interlocutor certo no início de uma venda B2B complexa?

Porque começar pelo decisor nem sempre é a melhor estratégia

Durante muitos anos, em Vendas B2B, fomos condicionados por uma ideia simples — e perigosa:


“O objetivo é chegar ao decisor.”


A frase parece lógica. Mas em contextos de Vendas Complexas, é frequentemente redutora.


O mito do “interlocutor certo”


A pergunta “qual é o interlocutor certo?” parte de um pressuposto errado:


o de que existe uma única pessoa certa, desde o primeiro contacto até à decisão final.


Na prática, o que existe é um conjunto de interlocutores (stakeholders), cada um relevante em momentos diferentes do processo.

Porque nas Vendas Complexas o decisor raramente decide sozinho


Quanto maior:


  • o investimento,
  • o impacto organizacional,
  • o risco pessoal e político,


mais o decisor sente a necessidade de diluir responsabilidade.


Mesmo quando começamos pelo decisor máximo, é comum ouvir frases como:


  • “Fale com o diretor da fábrica”,
  • “Quero que a equipa técnica avalie”,
  • “Vamos envolver mais algumas áreas”.


Não é resistência.É apenas gestão de risco.


A lógica do risco e o alargamento da base de influência


Em Vendas Complexas, decidir é um ato coletivo disfarçado de decisão individual.

O decisor precisa de:


  • validação técnica,
  • alinhamento operacional,
  • conforto político interno.


E isso obriga a alargar a base de influência.


Interlocutores típicos no início de uma venda B2B


No arranque de um relacionamento comercial, é comum lidarmos com:


  • Utilizadores operacionais – sentem o problema na pele,
  • Gestores intermédios – sofrem o impacto nos resultados,
  • Diretores funcionais – avaliam riscos e viabilidade,
  • Decisor final – assume a decisão formal.


Todos são relevantes. Nenhum, isoladamente é suficiente. Decisor final com os seus stakeholders B2B


A figura-chave que faltava: o Sponsor


Aqui entra a peça que, há uns anos atrás raramente era nomeada: o Sponsor.


O Sponsor é alguém que:


  • acredita no valor da solução,
  • tem influência interna,
  • está disposto a defender o projeto quando você não está na sala.


Não tem de ser o decisor final. Mas tem de ter credibilidade junto dele.


Em muitas vendas complexas, não ganhar um Sponsor é o verdadeiro motivo da derrota.


O erro clássico: confundir hierarquia com influência


Cargo não é sinónimo de poder real.


Há organizações onde:


  • quem decide não executa,
  • quem executa influencia,
  • quem influencia não aparece no organigrama.


Ignorar isto é vender “às cegas”.


Então, afinal, por onde começar?


A melhor resposta não é um cargo. É uma estratégia.


Comece por quem:


reconhece o problema, sofre com ele e pode ajudá-lo a navegar internamente.


O decisor virá. Mas raramente vem sozinho.


Conclusão


Em Vendas B2B Complexas, o erro não está em falar com “a pessoa errada”. O erro está em falar com poucas pessoas.


Quem entende o ecossistema de decisão constrói influência mas se procura apenas o decisor constrói resistência.


Era esta a mensagem que tinha para si!


Desejo-lhe,

Excelentes Negócios!


Cumprimentos,


Jorge Conceição


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